tulipa da holanda
Terça-feira, Dezembro 09, 2003


Estou de férias em Terra Brasilis, volto em janeiro.
Junto comigo o blog também está de férias, mas por tempo indeterminado.
Um Feliz Natal e um excelente 2004 pra todos!

Por Silvia as 2:56 PM.


Perdidos por aqui

Domingo, Novembro 02, 2003


Por que é tão difícil fazer amigos?
Nesses últimos tempos eu tenho aprendido tantas coisas sobre a Holanda que eu nunca tinha parado pra pensar. Agora na escola de holandês estou tendo aulas de orientação para a sociedade e nessas aulas a gente aprende não só sobre coisas práticas como por exemplo como funciona o sistema de saúde, mas também sobre o comportamento do povo holandês.
Uma das coisas que sempre martelou na minha cabeça era a razão pela qual os holandeses são tão frios nas relações de amizade. Na escola aprendi que a sociedade holandesa é individualista. As pessoas são educadas para pensarem primeiro e somente em si próprio. Se você ganhou na loteria, legal, sorte sua! O dinheiro é todo seu, não dê um centavo a ninguém, nem mesmo a sua família. Recebeu uma promoção no trabalho? O máximo que pode acontecer é você escuta um "gefeliciteerd" bem mixuruca. Esses são só alguns exemplos do individualismo holandês.
As pessoas escolhem os amigos de acordo com os interesses. Existem grupos para os mais diversos hobbies, esportes, ou interesses em comum. Tentar se enquadrar em clube ou associação é questão de sobrevivência se você quiser ter "amigos".
Outro exemplo: Todo mundo na Holanda recebe assistência do governo. Se você está tendo problemas de relacionamento com seu filho adolescente, e você procura um amigo pra desabafar, pedir conselhos ou mesmo pra dar uma volta por aí e esquecer seus problemas, esse amigo simplesmente vai te dizer: "Ok, eu até escuto todos os seus problemas (por curiosidade), mas não vou dar conselho algum, procure a assistente social do governo, que te encaminhará para um psicólogo gratuito."
Isso tudo pra mim soa tão impessoal. No Brasil nós estamos acostumados com o princípio que devemos sempre escutar os problemas dos amigos e pelo menos tentar consolar ou até mesmo ajudar de alguma forma. Lembram-se da Canção da América? "Amigo é coisa pra se guardar dentro do coração".
Então, como agir com as pessoas aqui? Mudar o seu comportamento, quem você é e deixar de ajudar as pessoas só porque você está em outro país? Se enquadrar, ou ser quem você realmente é? Essa diferença cultural ainda vai me enlouquecer!

Por Silvia as 11:52 AM.


Perdidos por aqui

Segunda-feira, Outubro 20, 2003


Olha eu aqui outra vez!
Eu sei que ando sumida. Tem gente até me escrevendo perguntando se eu larguei o blog de mão. Na-na-ni-na-não!
O motivo desse sumiço temporário é que finalmente passei para a fase 3. Para quem não sabe o que é a fase 3, favor dar uma olhada no blog da Claudinha. A fase 3, pode-se dizer que é a fase da utilidade. É quando as coisas parecem mais normais e começam a fazer sentido.
Bom, parece que Deus finalmente atendeu meus pedidos e para minha surpresa, na escola de holandês fui transferida para uma turma chamada "extra snel", ou seja, extra rápida. Antes eu estava numa turma que levou 6 meses para tirar o nível 1. Nessa turma de agora os alunos já têm o nível 2 e estão tirando o nível 3 em 2 meses. E eu, que tinha o nível 1, estou indo direto pro nível 3. As aulas são rápidas, mas muito eficientes. Posso dizer que já entendo bastante do Holandês e estou falando muito mais do que há 2 meses atrás. Não que eu entenda tudo e fale tudo, mas se eu comparar, foi um salto e tanto.
Mais outra benção finalmente aconteceu. Consegui achar uma faculdade em inglês pra mim aqui em Enschede. Estou fazendo "Kunst en Techniek", em inglês: "Informational Graphic Design". Estou amando as aulas, que caíram como uma luva pra mim. O curso em inglês é novo, parece que a minha turma é a segunda da faculdade. No total são 15 estudantes vindos de países asiáticos como China, Vietnã, Coréia do Sul e Indonésia. As únicas ocidentais sou eu e uma menina de São Martin, uma ilha do Caribe colonizada pela Holanda.
Não foi fácil conseguir entrar pra faculdade. Tive que fazer uma prova de desenho. Também tive que fazer prova e entrevista para avaliar o nível do meu inglês. Depois ainda tive que pedir autorização do serviço social aqui de Enschede se eu podia conciliar as aulas de Holandês com a faculdade, pois é o são eles quem pagam as aulas de Holandês. Esse foi o primeiro caso, pelo menos nessa cidade, de alguém que concilia aulas de Holandês com outra atividade de aprendizagem intensiva. Coitados, tiveram até que fazer um conselho pra decidirem se eu podia ou não. No final deu tudo certo pois as aulas de Holandês têm o objetivo de integrar o estrangeiro na sociedade, e se o estrangeiro busca a sua própria maneira de integração eles não podem impedir.
Com tanta coisa pra estudar, com essa correria da escola de Holandês pra faculdadde e vice-versa, quase não estou tendo tempo pra parar na frente do computador, responder e-mails, atualizar blog, etc... Mas enfim, cá estou eu para dizer que esse blog conta uma história e continuará contando se Deus quiser.

Dica
Aqui vai uma dica para aqueles que estão como eu, na luta para conseguir aprender Holandês.
Saiu um novo dicionário de Holandês especialmente voltado para estrangeiros. Esse dicionário é excelente, vem com um Cd-rom e é especialmente para pessoas que já têm alguma noção do idioma pois as explicações são em holandês, mas bem fáceis de se entender, inclusive algumas palavras são acompanhadas de desenhos ilustrativos. Para quem quiser compra-lo ele é da editora Van Dale, chama-se Nederlands als tweede taal (NT2) e custa 13,50 euros.

Por Silvia as 10:03 PM.


Perdidos por aqui

Segunda-feira, Setembro 29, 2003


Polêmicas a parte...
Vocês não acham que o post aí de baixo já deu muito pano pra manga? Que tal mudarmos de assunto?
Eu sei que é meio clichê, mas por favor, paz e amor!

Novo Blog
Já cansei desse blog, vocês também não? Há tempos que eu falo num novo layout, num novo conceito, mas até agora nada...
Cadê tempo, inspiração, vontade?..

Por Silvia as 11:39 PM.


Perdidos por aqui

Sábado, Agosto 30, 2003


Esclarecimentos
No post anterior, eu fiz questão de não deixar a minha opinião sobre imigração na Holanda. Como esse assunto é delicado e divide muitas opiniões, eu somente expus, de maneira vaga, o que eu eu tenho aprendido sobre a relação dos holandeses com os imigrantes que aqui vivem. É claro que existem holandeses que aceitam numa boa e outros que são totalmente contra e abominam quem quer que apareça com intuito de morar em terras holandesas. Meu objetivo não é discriminar qualquer um que seja, pois também sou imigrante (concordo com a Alice) e não fujo as regras. Agora sim, faço questão de deixar as minhas idéias sobre esse assunto.

No meu ponto de vista, a princípio, deveria haver um equilíbrio e não imigração em massa de determinada população.
Talvez o governo holandês tenha errado ao fazer um convite em massa e estimular a imigração de maneira tão centrada.
É aceitável quando alguns indivíduos procuram um país diferente em busca de novas oportunidades, mas o que não entra na minha cabeça é o fato de alguns imigrantes trazerem suas famílias inteiras. Tudo bem se fosse apenas marido, mulher e filhos, mas esses imigrantes aos quais me refiro, querem trazer desde pais até primos distantes. Isso soa pra mim como se fosse uma corrida de caça ao ouro: "venha comigo pois vivo melhor do que você e posso te levar para um lugar muito melhor, onde você enriquecerá".

Outro problema é a recusa de adaptação ao país. Se estamos na Holanda, devemos obedecer as leis holandesas para evitar qualquer problema com as autoridades. Ao mesmo tempo devemos pelos menos tentar, ou senão, fazer o melhor que pudermos para aceitar e aprender a cultura do país em que vivemos para evitar qualquer problema, desta vez, com a sociedade. Não que você abandone as tradições e hábitos do seu país de origem, mas pelo menos tente não se excluir isolando-se em grupos seletos que são determinados por etnia, religião ou nacionalidade.

Discordo que os imigrantes tenham que ser punidos na forma de expulsão. Se a vida daquela pessoa já está completamente inserida no país que o recebeu, então porque manda-lo de volta? Essa idéia parece-me infantil já que não resolve o problema e sim o transfere. O infrator deve ser punido como qualquer outro cidadão que tem obrigação de obedecer as leis da sociedade na qual decidiu viver.

A Holanda, assim como outros países da Europa, mesmo algumas décadas após a segunda guerra mundial, ainda depende de mão-de-obra estrangeira. Grande parte do produto interno bruto (PIB) é composta pela participação dos imigrantes que também contribuem com impostos para o governo, acelerando assim o desenvolvimento do país. Já ouvi de muitos holandeses que imigrantes são como uma nuvem de gafanhotos que invade especialmente o mercado de trabalho e tira a oportunidade dos próprios holandeses de contruirem suas carreiras. Também discordo disso. As vagas estão aí para qualquer um, e quem é competente se sai melhor.

Para finalizar, a imigração tem vantagens e desvantagens para qualquer país e a Holanda está aí como exemplo.
Todos têm o direito de terem chances. Eu, por exemplo, estou tendo a chance de aprender muito sobre a Holanda, sobre o Brasil e até sobre mim mesma. As palavras de ordem para mim são: equilíbrio, balança. Nem de mais nem de menos. O importante seria se todos pudessem viver em harmonia e acima de tudo, respeitando uns aos outros.

Por Silvia as 10:57 AM.


Perdidos por aqui

Terça-feira, Agosto 19, 2003


Cadê os Holandeses?
Para quem está na Holanda basta dar uma olhada em volta e irá reconhecer figuras de origem turca e marroquina. Com a população total de cerca de 16 milhões de habitantes, a Holanda abriga aproximadamente 700 mil turcos e marroquinos, sem contar pessoas de outras nacionalidades, tornando-se assim um país de imigração em grande escala. Mas tudo isso tem uma origem.
Na década de 50 vários trabalhadores temporários vieram da Espanha e Itália para ajudarem a reconstruir a Holanda após a segunda guerra mundial. Depois de fazer algum dinheiro, esses trabalhadores voltaram para seus países. Já nos anos 70 novamente trabalhadores temporários vieram, mas desta vez da Turquia e Marrocos. A princípio somente os homens foram admitidos, pois a Holanda precisava de mão-de-obra, mas de alguns anos pra cá permitiu-se que mandassem vir as famílias. O programa todo foi iniciado com a idéia de que se tratava de um fenômeno temporário. No fim de alguns anos, todos voltariam para os seus países respectivos e a situação voltaria ao estado anterior. Foi uma atitude incrivelmente ingênua da sociedade sem experiência nenhuma com problemas deste tipo. É claro que a grande maioria desses imigrantes não tem a menor intenção de voltar. Já há bairros em cujas escolas as crianças holandesas constituem minoria.
Esse é um grande problema não só para a Holanda mas para outros países da Europa também. A maioria dos países europeus se vê, assim, repentinamente, submersa por ondas de migrantes acolhidos como trabalhadores e até há pouco entusiasticamente recebidos na curiosa ilusão de que em breve voltariam pacificamente a seus países de origem. Tudo isso causa sérios problemas de relacionamento e conflito cultural, de preconceitos e distanciamentos, sem falar em aumento da criminalidade e em problemas sociais de todo gênero.
Qual foi a razão de eu contar tudo isso? Pois bem... Em Enschede, onde moro, 26% da população são imigrantes. No bairro onde moro (Wesselerbrink), 30% dos moradores são turcos e marroquinos, o que explica a minha teoria de que estou na Holanda mas quase não vejo holandeses.
Não querendo generalizar, mas existe uma certa desconfiança por parte dos holandeses quando se é imigrante, independente do país que você venha. Já ouvi várias estórias de que os holandeses não gostam de imigrantes e por diversas razões, diferentemente de nós brasileiros que elevamos qualquer estrangeiro às alturas.

Crimes também acontecem por aqui
Aproveitando o papo de imigração e suas conseqüências, saiu no jornal mais um caso de criminalidade envolvendo um marroquino em Amsterdã. Depois de ter arrumado briga num restaurante, o marroquino foi em casa, se armou de uma faca e voltou para terminar com "a festa". Quando voltou, foi surpreendido pela polícia que já estava por lá para investigar o caso e ao sentir-se ameaçado, foi pra cima dos policiais com a tal faca recebendo um tiro no peito que o matou.
Até aí está parecendo um dos vários casos que já estamos acostumados a ver nos noticiários brazucas. Agora vem o melhor de tudo! Foi criada uma organização marroquina contra a discriminação e fizeram uma manisfestação contra a violência praticada por policiais como forma de combater a criminalidade. Disseram que o policial que atirou estava errado pois foi uma atitude de preconceito já que o acusado era marroquino.
O mais interessante nessa estória toda foi que bem na hora da manifestação, passou um aviãozinho anônimo carregando uma faixa que dizia: "o policial estava certo".
Quem fez isso? Alguma sugestão?

Por Silvia as 3:37 PM.


Perdidos por aqui

Domingo, Agosto 17, 2003


Versão guia turístico
Fomos até Roterdã para satisfazer as vontades turísticas de Mama Teka, que se sentiu bastante "em casa".
Assim como no centro do Rio de janeiro, onde ainda é possível ver construções do tempo da colonização portuguesa ao lado de prédios modernos, Roterdã conserva seu lado antigo representado pelos poucos prédios que resisitiram aos bombardeios alemães na Segunda Guerra Mundial, contrastando com prédios moderníssimos cujos projetos foram doados por arquitetos renomados para sua reconstrução.
Embora a cidade ofereça ônibus, bonde e metrô, fizemos um passeio a pé para que pudessemos ver tudo, o que na prática não é possível pois a cidade é grande demais. Eu não me canso de admirar a grandeza das contruções em Roterdã. Não pudemos deixar de fazer uma visita as casas cúbicas e dessa vez pudemos entrar e ver uma delas por dentro. Não sei se gostaria de morar numa casas dessa. Tudo parece muito estreito e apertado, embora o visual pelo lado de fora seja surpreendente.
A novidade do verão foi que, às margens do rio Maas, fizeram uma espécie de praia artificial, com direito a quadra de volei, duchas e mulheres de topless. Lembro-me de ter ido lá ano passado no outono e já estava um frio de tremer, ventando muito. Agora fiquei com outra impressão daquele lugar.
Roterdã tem inúmeras lojas, um centro cheio de restaurantes para todos os gostos e até shoppings aos moldes brasileiros. Fiquei tonta no meio de tanta gente. Talvez eu já tenha me desacostumado da minha vidinha agitada de antes.
O que mais me desencoraja a ir a Roterdã é o tempo de viagem. De Enschede até lá são 2 horas e meia. No total, ida e volta, são quase 5 horas sentada dentro de um trem. Haja paciência, mas de vez em quando é muito bom fugir desse lugar pacato e sentir as dimensões de um centro urbano.
Aí vão as fotos do sábado:


Por Silvia as 6:01 PM.


Perdidos por aqui

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